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Sinjor-PA exige investigação de violência contra jornalistas durante protestos

Posted by Administrator on 29 de maio de 2014 in NOTAS OFICIAIS |

As constantes agressões registradas durante a cobertura de protestos evidenciam a urgência de medidas cabíveis para coibir a violência contra profissionais da imprensa. Na noite desta terça-feira, 27, mais uma vez, uma equipe da TV Record Belém foi vítima de um triste episódio de brutalidade. 

Cerca de 300 manifestantes foram novamente às ruas para protestar contra o aumento da passagem de ônibus, em Belém. Como profissionais, a repórter Isabela Medeiros, o repórter auxiliar Edilson Matos, o repórter cinematográfico, Miguel Matos, e a produtora Bruna Brabo, seguiram para reportar a situação aos telespectadores paraenses. Mas, os quatro profissionais foram surpreendidos de forma violenta por um grupo de manifestantes.

Ao vivo, no programa Cidade Alerta Pará, a repórter e a produtora foram cercadas e ficaram presas em uma roda. Sem saída, foram ofendidas verbalmente e agredidas fisicamente. Tentaram puxar a blusa da repórter e o microfone da mão dela. Enquanto isso, o repórter cinematográfico era impedido de registrar as imagens. Tentaram arrancar a câmera da mão dele, cobriram com panos a lente do equipamento, o ameaçaram. Indefeso, o auxiliar tentava impedir as agressões e também acabou vítima da violência. A transmissão ao vivo foi cortada e a equipe voltou para a redação.

Já desgastados psicologicamente, os trabalhadores não receberam nenhum tipo de apoio da gerência de jornalismo da TV Record. Eles nem ao menos perguntaram se estavam bem. O único retorno que tiveram foram cobranças por terem entrado no meio da confusão. A empresa ainda responsabilizou a equipe pelo ocorrido e a edição do programa também foi responsabilizada. O clima ficou delicado na redação da emissora. 

A equipe voltou para casa sem apoio algum. Abalada emocionalmente e culpada de um episódio em que foram vítimas de uma agressão física, moral e não apenas por parte dos manifestantes, e sim pela gerência de jornalismo da emissora.

Lembramos que a linha editorial das empresas de comunicação muitas vezes impõe que os trabalhadores saiam para esse tipo de cobertura sem a menor proteção. Da TV Record, por exemplo, o Sinjor-PA já recebeu várias denúncias de assédio moral e falta de estrutura para o trabalho, inclusive relatos de violência contra os jornalistas da emissora durante manifestações.

Mesmo depois de todo esse episódio, a chefia de reportagem insiste na cobertura de protestos e continua mandando os trabalhadores ao local, até mesmo à noite. O repórter e apresentador Ronaldo Gillet, também da Record, e sua equipe já sofreram as mesmas agressões. 

O Sinjor-PA reuniu-se, na última terça-feira, 27, com a direção da TV Record Belém para cobrar medidas eficazes em favor dos jornalistas que prestam serviços à empresa. Esperamos que eles cumpram o que foi acordado e também que tomem providências para acabar com o comportamento truculento e desumano do gerente administrativo da emissora, Luiz Carlos Aparecido Lopes. Por se tornar insustentável a convivência, os trabalhadores continuam pedindo o desligamento de Luiz.

A respeito da violência contra jornalistas durante protestos, o Sinjor-PA considera que a situação está se agravando e tende a ficar ainda pior com a proximidade da copa. A entidade pretende, com o apoio dos órgãos competentes, resguardar a vida dos jornalistas que no exercício da profissão estão sendo violentados por pessoas que se aproveitam de manifestações legítimas para promover a desordem, o vandalismo e a violência contra o trabalhador.

O Sindicato ressalta que, assim como condena a violência policial, também denuncia as coações, intimidações, agressões verbais e físicas cometidas contra jornalistas e outros profissionais da imprensa. São inadmissíveis tais atitudes, visto que violam os princípios da liberdade de imprensa.

Mais uma vez deixamos claro que os empregados dos veículos de comunicação não representam a política das empresas em que trabalham. Identificar o trabalhar pela empresa de comunicação é um erro primário que não deve ser cometido por nenhum segmento da sociedade civil organizada.

Vale ressaltar que o Sindicato, como entidade representativa de classe, apoia toda e qualquer manifestação popular, como expressão legítima de garantia dos direitos da sociedade. Mas, condena toda forma de violência, sobretudo, aquela praticada contra o jornalista. O direito de se manifestar é tão legítimo quanto o direito de exercer livremente a profissão.

Porém, para evitar que mais casos aconteçam, o Sinjor-PA, por meio de sua assessoria jurídica, já articulou ações importantes para cobrar medidas de combate às agressões:

1.    Encaminhou um ofício ao secretário de Segurança Pública Luiz Fernandes Rocha, com cópia para o governador Simão Jatene, pedindo que identifiquem os agressores e que tomem providências cabíveis e pedindo audiência a fim de tentar a garantia da segurança policial dos profissionais da imprensa durante a cobertura de manifestações;

2.    Oficiou o Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Pará (Sertep), solicitando reunião para tratar sobre essa questão da violência contra os jornalistas durante a cobertura de manifestações. Para isso, vamos encaminhar um documento às redações solicitando imagens das duas últimas manifestações, para tentar identificar os responsáveis pelas agressões; e

3.    Apresentará denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

O jornalista é o profissional que está permanentemente trabalhando para que os cidadãos e cidadãs possam exercer o seu direito à informação e, por isso, merece o respeito de toda a sociedade. Jornalista também é trabalhador!

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