No mês da Consciência Negra, jornalistas paraenses têm Encontro da Comissão pela Igualdade Racial

A primeira Marcha das Mulheres Negras Amazônidas lá em 2020, ano de pandemia; foi virtual; a do ano seguinte; presencial; as duas tiveram como palestrante, uma das organizadoras, a jornalista, mestra e pesquisadora, Flávia Ribeiro; essas vivências foram tema de dissertação do mestrado que virou o livro “COMUNICAÇÃO, INTERSECCIONALIDADE E DECOLONIALIDADE: Escrevivências da Marcha Virtual das Mulheres Negras Amazônidas”; lançado na quinta-feira passada (14) e tema de debate do 1º Encontro da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira).

“Escolhemos a semana nacional da Consciência Negra, na verdade, um dia depois da data que foi feriado em todo o país pela primeira vez; e de forma semi-presencial, para que todos os (as) nossos (as) colegas pudessem participar de um debate que falou de amazônida para amazônida. Flávia, além de jornalista, é negra, amazônida e sindicalizada. Construir momentos como esse é revigorante e renova as esperanças por um mundo mais igualitário”, destaca a diretora do Sinjor-PA, Gê Dias, eleita como representante do estado na Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira).

No debate, Flávia contou um pouco dos desafios tecnológicos e como uma rede de solidariedade feminina fez tornar possível uma marcha em meio à pandemia de Covid-19. “Começamos com uma hora de atraso, fiquei sem internet no dia, outra mana teve problema com o computador e uma terceira apareceu, e com computador e internet funcionando colocou no ar nossa Marcha; e que foi literalmente uma caminhada virtual, pois começamos no YouTube e tivemos que seguir no Instagram devido a problemas de transmissão”, lembra.

O que ficou em registros na memória, postagens e prints de tela foi a base da dissertação do mestrado na Universidade Federal do Pará que teve o tema ampliado para abordar a colonialidade e seus impactos na historiografia oficial; as estratégias de luta de negras (os) no Brasil contra o apagamento; a falsa neutralidade no mundo virtual; racismo algorítmico e a ancestralidade na internet. “Precisamos registrar essas histórias, e a comunicação é uma ferramenta fundamental de firmar a cidadania, combater o racismo a partir da perspectiva de mulheres negras, a interseccionalidade que falo, em busca de um mundo com equidade, afinal não somos todos iguais e é preciso dar às pessoas o que elas precisam para que todos tenham acesso às mesmas oportunidades”, explica Flávia Ribeiro.

De dissertação a livro publicado, lançado e premiado no ‘Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa 2024, do Itaú Cultural ao lado da Fundação Tide Setúbal, no último dia 12, na capital paulista.

A jornalista amazônida foi a única pessoa da Região Amazônica na categoria “Pesquisas e Estudos Concluídos”. “Quando escrevo não trago apenas uma “vivência empírica”, trago conhecimentos e a intelectualidade de outras pessoas negras, principalmente, de mulheres negras amazônidas. Aqui, na premiação conheci pessoas que fazem o mesmo. As nossas mãos, calejadas de segurar a “fresta”, são mãos que produzem conhecimento científico e a nossa escrita foi reconhecida e premiada”, escreveu a jornalista no perfil no Instagram @negra_amazonida

Eleição Conajira

O segundo momento do 1º Encontro da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira) foi a escolha dos (as) representantes dos (as) jornalistas paraenses na Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira).

Valdice Gomes, jornalista alagoana e coordenadora da Conajira/Fenaj, explicou o papel da Comissão. “É um órgão de assessoramento à Fenaj para as questões étnico-raciais, como o combate ao racismo, pela superação de todas as formas de assédio e discriminação no ambiente de trabalho e social, bem como de apoio às políticas de promoção da igualdade racial; assuntos, que por mais que sejamos jornalistas que trabalhem em veículos de comunicação, não conseguiremos ter os devidos espaços que merecemos para debater esses temas”.

Foi no ano 2000 que começaram no Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo os diálogos que levaram à criação no ano posterior, 2001, da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira). No primeiro manifesto, a Cojira/SP definiu-se como um órgão consultivo, com participação aberta a todos (as) os (as) interessados (as), voltado para ajudar o Sindicato a ter uma atuação mais efetiva com relação à questão racial.

21 anos depois, a Cojira/PA é a mais recente das comissões estaduais. A primeira reunião do coletivo aconteceu no dia 29 de novembro de 2021. O encontro realizado através de uma live no YouTube, formalizou o lançamento da comissão, que tem o objetivo de ser um organismo de combate ao racismo dentro e fora da entidade, e ontem (21) teve duas jornalistas eleitas para representar o Pará na Comissão Nacional: Gê Dias, jornalista negra e feminista, belenense do bairro de periferia Terra Firme; trabalhou em redações de jornal e TV, é conselheira fiscal da ONG Olivia, organizadora e escritora da Editora Gato Ed, 2ª tesoureira do Sinjor-PA e assessora de comunicação do Sintepp; e Cecília Amorim, feminista negra, mãe e jornalista afroamazônida é co-fundadora da Agência Carta Amazônia, coordenadora da Escola Carta Amazônia de Jornalismo Socioambiental, já atuou em reportagem e produção em redações de jornal e rádio e atualmente acumula experiências como roteirista de documentários audiovisuais e assessora de comunicação para o terceiro setor.

Participaram do encontro os Coletivos Carta Amazônia, Manga Negra, Centro de Estudo e Defesa do Negro no Pará (CEDENPA), Conajira, pesquisadores (as) da UFPA e filiados (as) ao Sinjor-PA.

*Com informações Fenaj e Carta Amazônia

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